ABUSO DO PODER RELIGIOSO NAS ELEIÇÕES EM TEMPOS DE DESRAZÃO
DO SOFISMO A UM NECESSÁRIO REPENSAR ÉTICO
DOI:
https://doi.org/10.65596/revjurmpto.v13.26Resumo
O presente estudo aborda os possíveis influxos a serem verificados nas eleições de 2020 em face da crise ética oriunda do que se convencionou denominar pós- verdade. Desmistifica aludida expressão ao identificar suas raízes históricas na atividade desenvolvida pelos sofistas, sem deixar de contextualizá-la com a realidade posta, caracterizada por desinformação e desencantamento do cidadão com a definição dos rumos a serem seguidos para a consolidação de jovem democracia brasileira, tendo como base referenciais sociológicos e filosóficos. Aponta os efeitos deletérios prováveis da disputa, traz Projeto de Lei em tramitação no Senado e contempla novas formas de engodo popular, com destaque para o abuso do poder religioso, o qual, aos poucos, vai sendo assimilado por doutrina e jurisprudência como ato caracterizador de abuso de poder político e/ou econômico apto a macular o resultado do pleito, possibilitando o ajuizamento de ação de impugnação do mandato eletivo.
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